Lula ou Flávio no segundo turno: o que cada resultado pode mudar nos juros e nos imóveis
Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno e a disputa vai a 25 de outubro. Veja o que bancos, gestoras e os planos de governo apontam para crédito, juros e mercado imobiliário em cada cenário.
EM 30 SEGUNDOS
- ›Com mais de 99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro teve 47,15% dos votos válidos e Lula, 45,02%; o segundo turno será em 25 de outubro.
- ›Com Lula, o mercado vê continuidade do Minha Casa, Minha Vida e benefício a construtoras de baixa renda, mas teme juros altos por mais tempo se o fiscal preocupar.
- ›Com Flávio, analistas veem expectativa de agenda pró-mercado e benefício ao médio e alto padrão, mas a queda dos juros dependeria da redução da dívida e levaria tempo.
- ›Em qualquer cenário, a Selic segue com o Banco Central e o fiscal define o rumo dos juros de longo prazo.
- ›Até o segundo turno, a tendência é de oscilação no dólar, na bolsa e nas taxas dos bancos.
Conheça a fundadoraLeyde DuarteFundadora do Portal Mais Novos@leydeduarte.brO primeiro turno da eleição presidencial, realizado no domingo (4), terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os dois voltam às urnas em 25 de outubro. Para quem pretende comprar, vender, financiar ou investir em imóveis, a pergunta é prática: o que muda nos juros, no crédito e no mercado imobiliário em cada resultado possível? Reunimos o que bancos, gestoras e os planos de governo apontam, sem torcida, para você decidir com informação.
O resultado do primeiro turno
Com mais de 99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 47,15% dos votos válidos e Lula, 45,02%. O resultado inverteu a ordem que a maior parte das pesquisas mostrava na véspera. O Datafolha divulgado no sábado (3) apontava Lula com 45% dos votos válidos e Flávio com 42%, e a Quaest mostrava 46% a 45%.
Juntos, os dois concentraram mais de 92% dos votos válidos. O restante ficou com nomes como Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema, cujos eleitores passam a ser disputados nas próximas três semanas.
O que o mercado já vinha precificando
Antes da votação, o mercado financeiro já tratava a disputa como aberta. Bancos e gestoras passaram as últimas semanas montando cenários para cada vencedor, e a bolsa subiu com força na reta final. Na semana que antecedeu o primeiro turno, o Ibovespa acumulou alta de 4,7%.
Um ponto aparece em quase todas as análises: a situação fiscal, ou seja, a capacidade de controlar a dívida pública, é o que mais pesa sobre os juros de longo prazo. E são esses juros que influenciam o custo do financiamento imobiliário, mais do que a Selic do dia a dia.
Cenário 1: se Lula for reeleito
O que tende a favorecer o setor imobiliário
- ›Continuidade do Minha Casa, Minha Vida. O plano de governo prevê manter e ampliar o programa para todas as faixas de renda, com novidades como a Compra Assistida, que permite em casos específicos a compra de imóveis prontos, e o uso de terrenos e imóveis da União para habitação.
- ›Previsibilidade para quem já atua no programa. Construtoras voltadas à baixa renda estão entre as empresas apontadas pelos bancos como favorecidas nesse cenário, segundo levantamento do Monitor do Mercado.
- ›Regras conhecidas. Para compradores e empresas, a continuidade evita o período de adaptação que costuma acompanhar a troca de programas.
Pontos de atenção apontados pelo mercado
- ›Risco fiscal. Se os investidores enxergarem dificuldade em controlar os gastos, os juros podem ficar altos por mais tempo, encarecendo o financiamento e o crédito para empresas.
- ›Médio e alto padrão. Esses segmentos são mais sensíveis aos juros do crédito bancário e tendem a sentir mais um cenário de juros elevados.
Cenário 2: se Flávio Bolsonaro vencer
O que tende a favorecer o setor imobiliário
- ›Expectativa de agenda pró-mercado. O plano de governo prevê redução do tamanho do Estado, corte de gastos e retomada de desestatizações. Analistas avaliam que isso pode aumentar o apetite por risco na bolsa.
- ›Médio e alto padrão. Bancos citam construtoras de médio e alto padrão, varejistas e empresas ligadas ao mercado de capitais entre as mais beneficiadas nesse cenário.
- ›Crédito e garantias. O plano prevê modernizar as regras de alienação fiduciária, do sistema de garantias e da recuperação de crédito em caso de inadimplência, o que pode dar mais segurança aos bancos que emprestam.
- ›Habitação popular. A proposta é retomar o Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de moradias e financiamento com a menor taxa possível, combinado com regularização fundiária e parcerias público-privadas.
Pontos de atenção apontados pelo mercado
- ›Juros não caem por decreto. O próprio plano condiciona a queda dos juros da casa própria à redução da dívida pública e da Selic. Analistas ouvidos pelo Monitor do Mercado avaliam que uma política mais austera teria efeito sobre os juros, mas que ele demoraria a aparecer.
- ›Transição de programa. A troca do Minha Casa, Minha Vida pelo Casa Verde e Amarela exigiria um período de adaptação, o que pode afetar o ritmo de lançamentos voltados à baixa renda enquanto as novas regras não estiverem definidas.
O que não muda com nenhum dos dois
- ›A Selic é decidida pelo Banco Central. A próxima reunião do Copom acontece em 3 e 4 de novembro, já depois do segundo turno. Hoje a taxa está em 13,75%.
- ›O fiscal define o rumo dos juros longos. Para a InvestSmart XP, a sustentabilidade da dívida pública é o principal ponto de atenção, e dificuldades na execução das propostas de qualquer candidato podem pressionar câmbio, juros e inflação.
- ›Pouco espaço no curto prazo. Segundo análise publicada pela SpaceMoney, a curva de juros de longo prazo tem pouco espaço para ceder no curto prazo, independentemente do vencedor.
O que esperar do segundo turno
A disputa segue apertada. Na véspera do primeiro turno, as simulações de segundo turno já apontavam empate técnico: 47% a 46% para Lula no Datafolha e 44% a 42% para Flávio na Quaest. O resultado das urnas, com Flávio à frente, mostrou ainda que as pesquisas podem errar a ordem dos candidatos.
Nas próximas três semanas, a tendência é de oscilação no dólar, na bolsa e nos juros futuros a cada nova pesquisa e a cada sinal sobre alianças e equipes econômicas. Para quem está comprando imóvel, isso pode significar mudanças nas taxas oferecidas pelos bancos até 25 de outubro.
O que fazer agora com a sua decisão de imóvel
- ›Não decida no calor das notícias. O imóvel é uma decisão de longo prazo, e o próximo governo terá quatro anos. O que pesa mais é a sua capacidade de pagar a parcela com folga.
- ›Deixe o crédito encaminhado. Uma análise de crédito aprovada permite agir rápido se as condições melhorarem depois da eleição.
- ›Quem já financiou mantém a taxa contratada. A eleição não muda o contrato assinado.
- ›Use a incerteza a seu favor. Momentos de cautela costumam abrir espaço para negociação de preço e condições.
Quer simular o financiamento e entender como cada cenário pode afetar a sua parcela? Comece pela simulação de financiamento e acompanhe a Selic. A Leyde Duarte ajuda a montar a estratégia, seja qual for o resultado das urnas.
Perguntas que sempre aparecem
Quem venceu o primeiro turno da eleição de 2026?
Com mais de 99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,15% dos votos válidos e Lula (PT), 45,02%. Como nenhum passou de 50%, os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.
A eleição muda os juros do financiamento imobiliário?
Indiretamente. A Selic é definida pelo Banco Central, mas a percepção sobre as contas públicas mexe com os juros de longo prazo, que influenciam o custo do crédito. Quem já financiou mantém a taxa do contrato.
O que acontece com o Minha Casa, Minha Vida depois da eleição?
O plano de Lula prevê manter e ampliar o programa. O plano de Flávio Bolsonaro propõe retomar o Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de moradias. Em caso de troca, haveria um período de transição entre os programas.
É melhor esperar o segundo turno para comprar imóvel?
Não há uma resposta única. O mais seguro é ter o crédito analisado e a conta feita com folga, para agir quando as condições forem favoráveis, sem decidir no calor das notícias.
Fontes
- Tribuna PR: Flávio Bolsonaro lidera 1º turno e vai ao 2º contra Lula
- Jornal de Brasília: segundo turno em 25 de outubro
- O Diário de Mogi: últimas pesquisas Datafolha e Quaest
- Monitor do Mercado: setores da bolsa em cada cenário
- SpaceMoney: Lula ou Flávio, os setores da bolsa em cada cenário
- InvestSmart XP: pontos econômicos no radar dos investidores
- O Brasilianista: cenários econômicos em caso de vitória de Lula ou Flávio
- InfoMoney: Flávio propõe retomar Casa Verde e Amarela
- Diário de Cuiabá: propostas dos candidatos para o crédito da casa própria
- Gazeta do Paraná: plano de governo de Flávio Bolsonaro
- SpaceMoney: Ibovespa na semana anterior ao primeiro turno
Quanto vale o seu imóvel hoje?
Comparamos com os anúncios e as vendas da região e te dizemos um preço que vende, não um preço que só enfeita anúncio.
Avaliar meu imóvel →Corretora desde 2010, especialista em desenvolvimento imobiliário e estruturação de crédito para aquisição de imóveis. Publica aqui o que costuma dizer no café com clientes, só que com fontes.








