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30 anos de violência no Brasil: o que fez os homicídios subirem e caírem em cada governo

Leyde DuarteCorretora especialista em desenvolvimento imobiliário
24 de out de 2026 · 5 min

EM 30 SEGUNDOS

  • ›Os homicídios cresceram nos anos 1990, pararam de subir após o Estatuto do Desarmamento (2003) e migraram do Sudeste para o Nordeste.
  • ›O recorde foi em 2017, com 65.602 homicídios, puxado pela guerra entre PCC e Comando Vermelho no Norte e no Nordeste.
  • ›A partir de 2018, os homicídios caíram com a trégua entre facções, a redução de jovens na população e políticas estaduais.
  • ›Em 2025, o país teve a menor taxa de mortes violentas da série, 19,1 por 100 mil, mas recordes de letalidade policial, feminicídio e estupro.
  • ›Amapá, Bahia e Ceará são os estados mais violentos, e Santa Catarina e São Paulo, os mais seguros.
Leyde Duarte, fundadora do Portal Mais NovosConheça a fundadoraLeyde DuarteFundadora do Portal Mais Novos@leydeduarte.br

Em 2025, o Brasil registrou a menor taxa de mortes violentas desde que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública começou a medir, em 2012. Oito anos antes, em 2017, o país tinha batido o recorde de assassinatos. Entender o que aconteceu entre um ponto e outro, e nos 30 anos anteriores, ajuda a separar o que é mérito de governo do que é movimento do crime.

Um ponto importante antes dos números: pela Constituição, a segurança pública é responsabilidade principalmente dos estados, que comandam as polícias Militar e Civil. O governo federal atua com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o sistema prisional federal, as leis e o dinheiro repassado. Por isso, boa parte das viradas tem explicação estadual.

Os anos 1990 e o governo FHC (1995-2002)

  • ›O que aconteceu: os homicídios cresceram de forma contínua durante toda a década, puxados pelas grandes capitais do Sudeste, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo.
  • ›Por quê: urbanização acelerada, desemprego alto no fim da década, expansão do tráfico de drogas nas periferias e a facilidade de acesso a armas de fogo.

Lula 1 e 2 (2003-2010)

  • ›O que aconteceu: em 2003 foi aprovado o Estatuto do Desarmamento, que restringiu o porte de armas e promoveu campanhas de entrega voluntária. Os homicídios pararam de subir no país por alguns anos.
  • ›A virada geográfica: São Paulo derrubou sua taxa e chegou à menor do país, mas a violência migrou. Entre 2000 e 2015, a taxa de homicídios do Nordeste mais que dobrou, enquanto a do Sudeste caiu.
  • ›Por quê: o crescimento econômico do Nordeste atraiu também o mercado de drogas, e as facções do Sudeste passaram a se expandir para o Norte e o Nordeste.

Dilma (2011-2016)

  • ›O que aconteceu: os homicídios voltaram a crescer, e a violência se interiorizou para cidades médias do Nordeste. Em 2015 foi criada a Lei do Feminicídio, que passou a tratar como crime específico o assassinato de mulheres por razões de gênero.
  • ›Por quê: consolidação de facções no Nordeste a partir de 2010, com a chegada de integrantes do PCC e do CV a estados como o Ceará, e a recessão de 2015-2016, que aumentou o desemprego entre jovens.

Temer (2016-2018)

  • ›O que aconteceu: em 2017, o Brasil teve o recorde de 65.602 homicídios, segundo o Atlas da Violência. O Rio Grande do Norte virou o estado mais violento do país, com 62,8 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto São Paulo tinha 10,3. O Ceará teve a maior alta naquele ano.
  • ›Por quê: a guerra entre o PCC e o Comando Vermelho, iniciada em 2016, que explodiu em rebeliões em presídios (como Alcaçuz, no Rio Grande do Norte) e em disputas por rotas de cocaína no Norte e no Nordeste. No Acre, a disputa pelas rotas que vêm do Peru e da Bolívia envolveu três facções.
  • ›A resposta: criação do Ministério da Segurança Pública e do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), em 2018, e intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.
  • ›Em 2018: os homicídios caíram 12%.

Bolsonaro (2019-2022)

  • ›O que aconteceu: a queda dos homicídios continuou com força em 2019. Houve leve alta em 2020, no primeiro ano da pandemia, e nova queda depois.
  • ›Por quê, segundo os pesquisadores: uma espécie de trégua entre as grandes facções a partir de 2018, a redução do número de jovens na população (principais vítimas), políticas estaduais de segurança e mais integração entre as polícias.
  • ›O debate: o governo ampliou o acesso a armas por decretos. Pesquisadores alertaram para o aumento de mortes com causa indeterminada, que pode esconder parte dos homicídios.

Lula 3 (2023-2025)

  • ›O que aconteceu: em 2025, foram 40.775 mortes violentas, ou 19,1 por 100 mil habitantes, a menor taxa da série e 30% abaixo de 2012. A queda ocorreu em 20 dos 27 estados.
  • ›Por quê, segundo o Fórum: mais coordenação entre União e estados, metas nacionais, compartilhamento de dados e uso de inteligência na investigação.
  • ›O outro lado: 2025 teve recordes negativos. As mortes em ações policiais chegaram a 6.602, cerca de 1 em cada 6 mortes violentas do país, e a operação no Rio de Janeiro em outubro de 2025 deixou mais de 120 mortos em dois dias. Os feminicídios chegaram a 1.571, e os registros de estupro passaram de 87 mil, os maiores da série.

Os estados mais violentos hoje

Em 2025, os dez estados mais violentos estavam todos no Norte e no Nordeste:

  • ›Amapá: 42,5 mortes por 100 mil habitantes. Mesmo com queda de 6% em 2025, segue como o estado mais violento do país. Como em outros estados do Norte, a violência está associada à disputa de facções por rotas do tráfico.
  • ›Bahia: 36,8. Tem metade das dez cidades mais violentas do país, e Porto Seguro teve a maior taxa de mortes em ações policiais em 2025. O estado teve 14,2% de todos os homicídios do Brasil em 2024, mais que São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
  • ›Ceará: 34,7. Maranguape, na região de Fortaleza, é a cidade mais violenta do Brasil, com 100,3 mortes por 100 mil habitantes. Desde 2010 o estado vive a disputa entre CV, PCC e a facção local Guardiões do Estado.
  • ›Alagoas: 33,1.
  • ›Pernambuco: 33,0.

Os estados mais seguros são Santa Catarina (7,6) e São Paulo (7,8). Também em 2025, o Rio Grande do Norte teve a maior alta do país (+19,6%).

Violência contra a mulher

  • ›Entre 2007 e 2017, os homicídios de mulheres cresceram 30,7%.
  • ›Desde a Lei do Feminicídio (2015), os registros sobem ano a ano, em parte porque a polícia passou a classificar melhor esses casos.
  • ›Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas foram mortas por razões de gênero, o maior percentual já medido, e os registros de estupro chegaram ao recorde.

Como ler esses números

A violência no Brasil subiu e caiu muito mais por causa da dinâmica das facções, da demografia e das políticas estaduais do que por uma única decisão de Brasília. Leis federais, como o Estatuto do Desarmamento, a Lei do Feminicídio e o SUSP, tiveram papel importante, mas os resultados variam de estado para estado. Para quem escolhe onde morar e investir, os dados por estado e por cidade dizem mais do que a média nacional.

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Leyde DuarteCorretora especialista em desenvolvimento imobiliário

Corretora desde 2010, especialista em desenvolvimento imobiliário e estruturação de crédito para aquisição de imóveis. Publica aqui o que costuma dizer no café com clientes, só que com fontes.

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