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Manchetes da Semana: fato ou fake no último debate entre Lula e Flávio na Globo

Leyde DuarteCorretora especialista em desenvolvimento imobiliário
24 de out de 2026 · 7 min

EM 30 SEGUNDOS

  • ›O debate da Globo de sexta-feira (23) foi o último encontro entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno, e os dois chegaram empatados em 50% no Datafolha.
  • ›Os dois apresentaram propostas para dívidas, segurança, saúde, educação e infraestrutura, e concordaram em reajustar o salário mínimo acima da inflação e no transporte gratuito aos fins de semana.
  • ›Lula repetiu o erro de que o PIB não cresceu acima de 3% desde 2010 e atribuiu ao governo Bolsonaro a criação das apostas online, legalizadas em 2018.
  • ›Flávio repetiu acusações já desmentidas, como a frase sobre roubo de celular, e exagerou ao falar em R$ 400 bilhões gastos para a reeleição.
  • ›Os dois também acertaram dados, como a fome em 2022, o recorde de exportações, a Selic perto de 14% e os 83,9 milhões de inadimplentes.
Leyde Duarte, fundadora do Portal Mais NovosConheça a fundadoraLeyde DuarteFundadora do Portal Mais Novos@leydeduarte.br

A última semana antes do segundo turno terminou com o debate da TV Globo, na sexta-feira (23), o último encontro entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes da votação deste domingo (25). Os dois chegaram empatados: o Datafolha divulgado na quinta-feira (22) mostrou 50% dos votos válidos para cada um. Como a Globo não fez checagem ao vivo na TV, reunimos abaixo o que foi verdade e o que foi falso, com base na verificação da Agência Lupa, que checou mais de 40 frases dos dois candidatos.

Fato ou fake: o que disse Lula

FALSO: "A economia não crescia acima de 3% desde que eu deixei a Presidência em 2010." O PIB cresceu 3,9% em 2011 e 3,0% em 2013, no governo Dilma, e 4,8% em 2021 e 3,0% em 2022, no governo Bolsonaro, segundo o IBGE. Lula já tinha repetido a frase em outras quatro ocasiões.

FALSO: o "Tigrinho" foi criado pelo governo Bolsonaro em 2022. As apostas online foram legalizadas em 2018, no fim do governo Temer. O governo Bolsonaro não regulamentou o setor no prazo, e a regulamentação veio em 2023, no governo Lula.

EXAGERADO: "Eu tinha acabado com a fome nesse país em 2012." O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, não em 2012, e isso não significa que a fome tenha sido eliminada. Em 2012, a presidente era Dilma Rousseff.

ERRO DE MOEDA: superávit comercial de "quase R$ 85 bilhões". O número é de US$ 84,4 bilhões e é uma projeção para todo o ano de 2026. O superávit registrado de janeiro a setembro foi de US$ 62,4 bilhões.

VERDADEIRO: 33 milhões de pessoas passavam fome quando ele voltou ao governo. Pesquisa da Rede Penssan de 2022 apontou 33,1 milhões em insegurança alimentar grave.

VERDADEIRO: "Nunca se exportou tanto neste país." As exportações de 2025 foram as maiores da série histórica, com US$ 348,3 bilhões.

VERDADEIRO: perdão de dívidas de MEIs. A lei foi sancionada na quarta-feira (21). O governo estima que cerca de 3,6 milhões de microempreendedores tenham débitos que somam R$ 12,57 bilhões.

Fato ou fake: o que disse Flávio Bolsonaro

FALSO: Lula seria o "pai do Tigrinho". Como no caso acima, as apostas foram legalizadas em 2018, no governo Temer, e só regulamentadas em 2023.

FALSO: Lula teria defendido roubo de celular para "tomar uma cervejinha". A frase é resultado de uma edição de entrevista de 2017 e já tinha sido desmentida em 2020.

FALSO: juro real de quase 20% no Plano Safra. As taxas nominais do Plano Safra 2026/2027 vão de 8% a 12,5% ao ano. Descontada a inflação, a maior delas fica perto de 7,9% de juro real.

EXAGERADO: Lula "já gastou mais de R$ 400 bilhões para tentar se reeleger". O valor soma medidas com impacto no orçamento, incluindo renúncias fiscais, e não significa que tudo foi gasto nem que o objetivo seja eleitoral. Só R$ 51,1 bilhões estão fora do orçamento aprovado.

EXAGERADO: Jair Bolsonaro "concluiu" a transposição do São Francisco. O governo dele inaugurou trechos, mas a obra, começada em 2007, ainda está em andamento.

FALTA CONTEXTO: dívida de R$ 11 trilhões. O número é real (R$ 11,1 trilhões, 82,9% do PIB em agosto), mas se refere à dívida bruta de União, estados e municípios, não só do governo federal.

VERDADEIRO: a Selic está "em torno de 14%". A taxa básica está em 13,75% ao ano.

VERDADEIRO: mais de 80 milhões de brasileiros com contas atrasadas. O Serasa registrou 83,9 milhões de inadimplentes em agosto.

VERDADEIRO: o Centro-Oeste é a região que mais produz alimentos. O Valor Bruto da Produção Agropecuária da região é estimado em R$ 431,2 bilhões, o maior do país, puxado por Mato Grosso.

As propostas de cada candidato

Apesar dos ataques, os dois apresentaram propostas concretas. Em alguns pontos concordaram: ambos prometeram reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação e apoiaram o transporte público gratuito aos fins de semana.

Dívidas e economia

  • ›Lula: nova etapa do Desenrola, com leilões para o governo comprar dívidas bancárias com descontos de até 95%, podendo movimentar até R$ 150 bilhões, além do perdão de dívidas dos MEIs. Defende crescer a economia para reduzir o peso da dívida pública.
  • ›Flávio: transformar a Caixa no "Banco da Prosperidade", que compraria dívidas de pessoas e empresas para refinanciar em condições melhores, com pausa nos pagamentos de até seis meses para pessoas físicas e um ano para empresas. Promete cortar despesas e impostos.

Segurança pública

  • ›Lula: aprovar a PEC da Segurança Pública, criar um ministério só para a área e fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal contra o crime organizado.
  • ›Flávio: classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, reduzir a maioridade penal para 16 anos (14 em crimes como estupro), endurecer penas para crimes contra o patrimônio e para integrantes de facções e adotar a castração química para condenados por crimes sexuais.

Saúde

  • ›Lula: defendeu o SUS e os investimentos feitos nos seus governos.
  • ›Flávio: disse que não vai privatizar o SUS e que mantém os recursos, com mudanças na gestão. Promete atualizar a tabela de procedimentos do SUS, ampliar o Inca, refinanciar as dívidas das Santas Casas e reduzir as filas de consultas e cirurgias.

Educação

  • ›Lula: ensino integral em 100% das escolas até o ensino médio e Pé-de-Meia para todos os alunos do ensino médio, estendido ao ensino superior.
  • ›Flávio: manter o Pé-de-Meia, criar um auxílio-creche para quem não conseguir vaga na rede pública e oferecer formação técnica no contraturno, com programação e inteligência artificial.

Programas sociais

  • ›Lula: manter a valorização do salário mínimo e ampliar a transferência de renda e o crédito.
  • ›Flávio: reajustar o Bolsa Família e permitir que o beneficiário mantenha o auxílio por um tempo depois de conseguir emprego formal ou abrir um negócio. Disse que não vai privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.

Infraestrutura

  • ›Lula: seguir com o PAC, que prevê R$ 1,7 trilhão em investimentos, com obras como a Transnordestina, a BR-319 e o túnel Santos-Guarujá.
  • ›Flávio: concluir a Transnordestina e as ferrovias de integração Leste-Oeste e Centro-Oeste, ampliar concessões de rodovias e portos e isentar motociclistas do pedágio nas novas concessões federais.

O placar geral

Nos dois lados houve acertos e erros. Lula repetiu números já corrigidos sobre o PIB e confundiu dados da balança comercial. Flávio repetiu acusações já desmentidas contra o adversário e exagerou dados sobre gastos e juros. Os dois concentraram boa parte do tempo em ataques pessoais, e temas como impostos e reforma fiscal voltaram a ficar em segundo plano.

Outras manchetes da semana

  • ›Empate técnico: o Datafolha de quinta-feira (22) mostrou Lula e Flávio com 50% dos votos válidos cada, com recuperação de Lula em relação às rodadas anteriores.
  • ›MEI: a lei sancionada na quarta-feira (21) aumenta o teto de faturamento do microempreendedor e perdoa dívidas inscritas na Dívida Ativa.
  • ›Desenrola 3.0: a medida provisória que permite à União comprar dívidas atrasadas de pessoas físicas, com desconto ou parcelamento, está em vigor e precisa ser votada pelo Congresso até novembro.
  • ›Juros: a Selic segue em 13,75% e a inflação de 12 meses, em 4,58%, acima do teto da meta.

O que isso muda no seu imóvel

Para quem vai comprar, vender ou financiar, o que importa depois de domingo é o caminho dos juros e da dívida pública. Nenhum dos dois candidatos detalhou como vai equilibrar as contas, e é isso que o mercado vai cobrar do eleito nas primeiras semanas. Quem já tem crédito aprovado trava a taxa no contrato. Quem está com o nome sujo deve acompanhar o Desenrola 3.0, porque regularizar as dívidas é o primeiro passo para conseguir financiamento com taxa melhor. Explicamos as contas na matéria fechar agora ou esperar os juros caírem e o que disseram os candidatos no debate da Band.

Para entender como o resultado da eleição entra na sua compra, venda ou financiamento, fale com Leyde Duarte (CRECI C17586), especialista em crédito imobiliário em Goiânia desde 2010.

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Leyde DuarteCorretora especialista em desenvolvimento imobiliário

Corretora desde 2010, especialista em desenvolvimento imobiliário e estruturação de crédito para aquisição de imóveis. Publica aqui o que costuma dizer no café com clientes, só que com fontes.

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