30 anos de Brasil: o emprego com carteira assinada em cada governo e o porquê
EM 30 SEGUNDOS
- ›O emprego formal cresceu pouco no governo FHC, com juros altos e crises externas.
- ›Nos governos Lula 1 e 2, o saldo do Caged foi de 11,3 milhões de vagas, com recorde de 2,5 milhões em 2010.
- ›O governo Dilma chegou ao pico de empregos formais em 2014, mas a recessão de 2015 e 2016 destruiu milhões de vagas.
- ›Temer encerrou com saldo negativo de 366,7 mil vagas e aprovou a reforma trabalhista.
- ›Bolsonaro enfrentou a pandemia e gerou cerca de 1 milhão de vagas por ano, e Lula 3 levou o desemprego a 5,3%.
Conheça a fundadoraLeyde DuarteFundadora do Portal Mais Novos@leydeduarte.brTer carteira assinada é o que separa o trabalhador com férias, 13º, FGTS e acesso a crédito daquele que vive de bico. Nos últimos 30 anos, o Brasil passou por períodos de forte criação de vagas formais e por crises que destruíram milhões de empregos. Neste segundo episódio da série 30 anos de Brasil, mostramos o que aconteceu com o emprego em cada governo e, principalmente, o que explica cada alta e cada queda.
Antes dos números, um cuidado: as estatísticas mudaram de método ao longo do tempo. O desemprego era medido só em seis regiões metropolitanas até 2012, quando o IBGE passou a usar a PNAD Contínua, que cobre o país todo. O Caged, que mede as vagas com carteira, mudou de sistema em 2020. Por isso, as comparações entre governos devem ser lidas como tendência, não como placar exato.
FHC (1995-2002): real forte, juros altos e emprego fraco
- ›O que aconteceu: o Plano Real acabou com a hiperinflação, mas o emprego formal cresceu pouco e o desemprego subiu ao longo dos dois mandatos.
- ›Por quê: para segurar o real, o Banco Central manteve juros muito altos, e o país enfrentou uma sequência de crises externas (México em 1995, Ásia em 1997, Rússia em 1998), além da desvalorização do real em 1999. A abertura comercial expôs a indústria à concorrência dos importados, e muitas fábricas cortaram vagas.
Lula 1 e 2 (2003-2010): o boom da carteira assinada
- ›O que aconteceu: o saldo do Caged foi de 11,3 milhões de vagas com carteira em oito anos. Pela Rais, o estoque de empregos formais passou de 28,7 milhões para 44,1 milhões. Em 2010, o país criou 2,5 milhões de vagas, recorde da série.
- ›Por quê: a economia cresceu em média 4% ao ano, puxada pela alta das commodities exportadas para a China. O crédito consignado (2003), a valorização do salário mínimo e o crescimento do consumo aqueceram comércio e serviços. A criação do Simples Nacional (2006) e do MEI (2008) estimulou a formalização de pequenos negócios.
Dilma (2011-2016): do pico à recessão
- ›O que aconteceu: o primeiro mandato ainda gerou cerca de 4,8 milhões de vagas, e o estoque de empregos formais chegou ao pico de 40,3 milhões em setembro de 2014, com o desemprego no menor nível da série até então. Na recessão de 2015 e 2016, o país perdeu milhões de vagas, e o saldo dos dois mandatos ficou em torno de 3 milhões.
- ›Por quê: a economia já desacelerava em 2012 e 2013. Em 2015, a piora das contas públicas, a queda das commodities, a alta dos juros e a crise política, somadas à Lava Jato, que paralisou grandes construtoras e obras, levaram ao desemprego em massa.
Temer (2016-2018): saída lenta da crise e reforma trabalhista
- ›O que aconteceu: o saldo do período ficou negativo em 366,7 mil vagas. O emprego formal parou de cair em 2017 e voltou a crescer devagar em 2018.
- ›O que mudou: a reforma trabalhista de 2017 criou o trabalho intermitente, ampliou a terceirização, permitiu que acordos coletivos prevalecessem sobre a lei em vários pontos e acabou com a contribuição sindical obrigatória. Defensores diziam que ela reduziria a informalidade; críticos, que precarizaria o emprego. O efeito sobre o número de vagas ainda é debatido pelos economistas.
Bolsonaro (2019-2022): pandemia e recuperação
- ›O que aconteceu: o governo começou com desemprego de 11,7%. Na pandemia, a taxa chegou perto de 15%, a mais alta da série. Depois, o emprego se recuperou rápido, e a média do período ficou em cerca de 1 milhão de vagas formais por ano.
- ›Por quê: o fechamento de comércio e serviços em 2020 derrubou o emprego, principalmente o informal. O Programa de Manutenção do Emprego, que permitiu reduzir jornada e suspender contratos com compensação do governo, preservou milhões de vínculos com carteira. Em 2021 e 2022, a reabertura da economia e a alta das commodities impulsionaram a recuperação.
Lula 3 (2023-2025): desemprego mínimo
- ›O que aconteceu: de janeiro de 2023 a outubro de 2025, foram criadas cerca de 4,9 milhões de vagas com carteira, e o país chegou a quase 49 milhões de empregos formais. O desemprego caiu para 5,3% no trimestre até agosto de 2026, um dos menores da série do IBGE.
- ›Por quê: o crescimento acima de 3% em 2023 e 2024, o aumento real do salário mínimo, os programas de transferência de renda e a expansão do crédito sustentaram o consumo e os serviços.
- ›O alerta: com a Selic em 15% ao longo de 2025, a criação de vagas desacelerou, e a informalidade continua alta, com perto de 4 em cada 10 trabalhadores sem carteira.
Como ler esses números
O emprego com carteira acompanha o crescimento da economia muito de perto. Os melhores períodos coincidiram com cenário externo favorável, crédito em expansão e juros em queda. Os piores, com crises externas, recessão ou pandemia. Mudanças nas leis, como o Simples, o MEI e a reforma trabalhista, influenciam a formalização, mas sozinhas não criam vagas sem crescimento.
Para quem quer comprar um imóvel, emprego formal é sinônimo de renda comprovada e acesso ao financiamento. Por isso, o mercado de trabalho é um dos melhores termômetros do crédito imobiliário.
Leia também o episódio anterior da série: 30 anos de violência no Brasil. Amanhã: os impostos criados, aumentados e cortados em cada governo.
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