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30 anos de Brasil: crescimento, inflação, salário mínimo e juros em cada governo

Leyde DuarteCorretora especialista em desenvolvimento imobiliário
29 de out de 2026 · 5 min

EM 30 SEGUNDOS

  • ›FHC acabou com a hiperinflação e criou o tripé econômico, com juros muito altos e crescimento médio de cerca de 2,4% ao ano.
  • ›Os governos Lula 1 e 2 tiveram o maior crescimento médio, com inflação na meta e valorização do salário mínimo.
  • ›Dilma levou os juros à mínima de 7,25% e depois enfrentou a recessão de 2015 e 2016.
  • ›Bolsonaro teve a Selic mínima de 2%, a pandemia e a inflação de 10% em 2021.
  • ›Lula 3 cresceu acima de 3% em 2023 e 2024, mas com dívida em alta e Selic de 15% em 2025.
Leyde Duarte, fundadora do Portal Mais NovosConheça a fundadoraLeyde DuarteFundadora do Portal Mais Novos@leydeduarte.br

Crescimento, inflação, salário mínimo e juros decidem quanto sobra no bolso no fim do mês e quanto custa financiar um imóvel. Neste quarto episódio da série 30 anos de Brasil, mostramos como esses indicadores se comportaram em cada governo desde o Plano Real e o que explica cada virada.

Um lembrete: nenhum presidente controla sozinho o crescimento e a inflação. O preço das commodities, as crises mundiais, a pandemia e as decisões do Banco Central pesam tanto quanto as escolhas do Planalto.

FHC (1995-2002): o fim da hiperinflação

  • ›Inflação (IPCA): caiu de mais de 2.000% ao ano antes do Real para 22% em 1995 e 1,7% em 1998. Voltou a subir com a desvalorização de 1999 e chegou a 12,5% em 2002.
  • ›PIB: média de cerca de 2,4% ao ano, com anos fracos nas crises externas.
  • ›Juros: a Selic chegou a 45% em 1999, para segurar a moeda, e terminou 2002 em 25%.
  • ›Salário mínimo: passou de R$ 100 em 1995 para R$ 200 em 2002.
  • ›Dívida: a dívida líquida do setor público praticamente dobrou em relação ao PIB, com o reconhecimento de dívidas antigas, os juros altos e a desvalorização do real.
  • ›O que ficou: o tripé econômico (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário, a partir de 1999) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), que seguem até hoje.

Lula 1 e 2 (2003-2010): crescimento com inflação na meta

  • ›PIB: média de 3,5% ao ano no primeiro mandato e de 4,6% no segundo, com 7,5% em 2010.
  • ›Inflação: de 9,3% em 2003 para perto da meta nos anos seguintes, com média de 5,1% no segundo mandato.
  • ›Juros: a Selic subiu para 26,5% em 2003, para conter a inflação herdada da crise eleitoral de 2002, e terminou 2010 em 10,75%.
  • ›Salário mínimo: de R$ 200 para R$ 510, com ganho real expressivo. A política de valorização, que somava a inflação ao crescimento do PIB, começou a valer em 2007.
  • ›Por quê: o ciclo das commodities puxado pela China, a manutenção do tripé e a expansão do crédito e do consumo. Na crise de 2008, o PIB recuou levemente em 2009 e se recuperou forte em 2010.

Dilma (2011-2016): da "nova matriz" à recessão

  • ›PIB: média de 2,3% ao ano no primeiro mandato e queda de cerca de 3,5% ao ano em 2015 e 2016.
  • ›Inflação: perto do teto da meta no primeiro mandato e 10,7% em 2015, com o reajuste de preços de energia e combustíveis que tinham sido segurados.
  • ›Juros: o governo forçou a queda da Selic para 7,25% em 2012, a mínima até então, mas a inflação obrigou o Banco Central a subir até 14,25% em 2015.
  • ›Salário mínimo: de R$ 545 para R$ 880, ainda com ganho real.
  • ›Por quê: a chamada nova matriz econômica (juros baixos à força, desonerações e controle de preços) piorou as contas públicas. Com a queda das commodities, a perda do grau de investimento e a crise política, veio a recessão.

Temer (2016-2018): inflação mínima e retomada lenta

  • ›PIB: média de 1,6% ao ano.
  • ›Inflação: 3,0% em 2017, abaixo da meta, com a queda dos alimentos e a economia fraca.
  • ›Juros: a Selic caiu de 14,25% para 6,5%.
  • ›Salário mínimo: chegou a R$ 954, com ganho real pequeno.
  • ›O que ficou: o teto de gastos (2016), que limitou o crescimento das despesas à inflação.

Bolsonaro (2019-2022): pandemia e juros mínimos

  • ›PIB: 1,2% em 2019, queda de 3,3% em 2020, alta de 4,8% em 2021 e 3,0% em 2022. Média de 1,4% ao ano.
  • ›Inflação: 10,1% em 2021, puxada por combustíveis, energia e alimentos no pós-pandemia.
  • ›Juros: a Selic caiu para 2%, a menor da história, em 2020, e subiu para 13,75% em 2022 para combater a inflação.
  • ›Salário mínimo: de R$ 998 para R$ 1.212, corrigido só pela inflação, sem ganho real.
  • ›Dívida: subiu com os gastos da pandemia em 2020 e recuou até o fim de 2022, ajudada pela inflação alta, que aumenta o PIB nominal.
  • ›O que ficou: a reforma da Previdência (2019), que reduziu o crescimento dos gastos com aposentadorias, e a autonomia formal do Banco Central (2021).

Lula 3 (2023-2025): crescimento acima do esperado e dívida em alta

  • ›PIB: 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.
  • ›Inflação: média de 4,6% ao ano, mas acima do teto da meta em setembro de 2026, com 4,58% em 12 meses.
  • ›Juros: a Selic caiu para 10,5% em 2024, subiu até 15% em 2025, com a inflação e a desconfiança sobre as contas públicas, e voltou a cair para 13,75% em 2026.
  • ›Salário mínimo: de R$ 1.320 para R$ 1.518 em 2025, com a volta da política de ganho real, agora limitada pelo arcabouço fiscal.
  • ›Dívida: a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, e as contas federais fecharam no vermelho em 2024 e 2025.
  • ›O que ficou: o arcabouço fiscal (2023), que substituiu o teto de gastos, e a reforma tributária.

Como ler esses números

Os períodos de crescimento mais forte combinaram cenário externo favorável, inflação controlada e confiança nas contas públicas. As crises vieram quando uma dessas peças falhou. Para quem compra imóvel, o indicador que mais pesa é a Selic, porque ela define o custo do financiamento, e ela depende diretamente da inflação e da confiança na dívida do governo.

Leia os episódios anteriores da série: violência, emprego e impostos. Amanhã: pobreza, fome, saúde, educação e meio ambiente.

Para entender como a Selic e a inflação entram na parcela do seu financiamento, fale com Leyde Duarte (CRECI C17586), especialista em crédito imobiliário em Goiânia desde 2010.

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Leyde DuarteCorretora especialista em desenvolvimento imobiliário

Corretora desde 2010, especialista em desenvolvimento imobiliário e estruturação de crédito para aquisição de imóveis. Publica aqui o que costuma dizer no café com clientes, só que com fontes.

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